Utilidade Pública Municipal 69/99 - Novembro de 2001
 

 

 

 

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Inclusão, é cedo ainda?

Inclusão é um processo pelo qual diferentes indivíduos passam a conviver e dividir um mesmo espaço social. Ela é sempre dificultada por motivos diversos, tais como, o preconceito, a dificuldade de aceitação de mudanças, as resistências, etc.

E como descobrir o momento certo de acabar com essas barreiras?

Num determinado lugar, algumas décadas passadas, crianças com “problemas” tinham uma escola diferenciada, onde seu conteúdo era mais fraco, sua estrutura deficitária, mas acreditava-se ser o suficiente, acreditava-se que em função dos seus “problemas”, seu o potencial era limitado e portanto não havia necessidade de melhorar o que lhes era ofertado.

Não lhes era permitido freqüentar a escola com as outras crianças, isso sequer era considerado como uma possibilidade real de proveito mútuo, pois por um lado tinham as crianças “normais” sendo prejudicadas com a convivência com as crianças com “problemas” e por outro elas próprias deveriam ser poupadas do sofrimento de conviver com o fracasso e com o preconceito.

Alguns grupos tendo uma visão diferenciada desse processo, passaram a reivindicar mudanças e a lutar por elas. Exigiam o direito de igualar as oportunidades para grupos minoritários, oportunizar o direito que todos tem de tentar mesmo que isso cause sofrimento, pois só assim o indivíduo pode aprender e crescer e enfim, reivindicar outro direito o de viver e ser reconhecido como cidadão.

A resistência como não podia deixar de ser, foi muito grande. Escolas que abriam suas portas para essas mudanças foram discriminadas pelas demais, professores que levantavam essa bandeira tornavam-se pessoas mal vistas pelos próprios colegas, e por fim, os próprios pais dessas crianças com “problemas”, temendo prejudicar os seus filhos, recusam-se em mudá-los de escola. 

Quebrar toda essa resistência foi um trabalho difícil que ainda não acabou, porém, já podemos ver o resultado dessas mudanças quando encontramos essas crianças, hoje, adultos produtivos: políticos, médicos, professores, etc.

Isso aconteceu realmente, faz parte da história dos Estados Unidos e também da nossa, só que, como sempre, de forma menos explícita.

Sendo assim porque deveríamos acreditar que com essas pessoas portadoras de necessidades especiais deveria ser diferente?

Ah! Ia me esquecendo de explicar que o único “problema” dessas crianças é que elas eram negras...

                                                                  Ana Estela Fernandes Checchia